BRASÍLIA (DF) – Quase um ano depois de três empresários de Manaus terem sido presos com R$ 1,2 milhão, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de inquérito para investigar o deputado federal Adail Filho (MDB-AM), por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro. A informação foi publicada pela coluna Radar, da revista Veja, nesta sexta-feira, 24. Os empresários foram presos ao desembarcar no aeroporto de Brasília, na noite do dia 20 de maio de 2025, com dinheiro em espécie em uma mala.
Na época, os três homens foram identificados como Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Vagner Santos Moitinho. Com o avançar das investigações, a Polícia Federal (PF) apontou a ligação do trio com o deputado Adail Filho, e com o prefeito de Coari, Adail Pinheiro, pai do parlamentar. A suspeita é de desvio e lavagem de dinheiro em um esquema envolvendo recursos públicos e fraude em licitações.

Reportagem do portal UOL, de dezembro de 2025, revelou que, além da ligação com os políticos de Coari, a investigação identificou ainda transações suspeitas e repasses de emendas parlamentares, com registros de recursos federais destinados ao município e indícios de desvios ligados a contratos públicos com esses recursos federais. A reportagem aponta que cerca de R$ 6 milhões em contratos com a Prefeitura de Coari foram encontrados pela Polícia Federal.
Na época da prisão, os empresários informaram à PF que utilizam as organizações em que trabalham para firmar contratos públicos com administrações municipais da região. Questionados sobre o porquê de estarem portando alto valor em dinheiro em espécie, os investigados declararam que estavam se deslocando para o Estado de Goiás com o objetivo de adquirir materiais para as respectivas empresas do grupo.

Levantamento realizado pela REVISTA CENARIUM, ano passado, mostra que Cesar de Jesus Albuquerque é sócio-administrador da empresa Comercial C-J Comercio de Produtos Alimentícios LTDA, registrado no CNPJ n° 31.158.755/0001-42. A empresa venceu o pregão presencial n° 015/2025-CCC, da Prefeitura de Coari, para fornecer Equipamentos de Proteção Individual (EPI) para atender as necessidades da Secretaria Municipal de Saúde Municipal (Semsa).
Adail Filho negou, no ano passado, ter empresas ligadas aos investigados e afirmou não receber pagamentos dos presos. Disse ainda que deu apoio político com gabinete e motorista a Vagner Moitinho, após solicitação do filho dele, Lucas Moitinho, vereador do município de Presidente Figueiredo (AM). Segundo o parlamentar, a prática é adotada com outros aliados também. O parlamentar declarou que tem duas empresas registradas em seu nome e rejeitou qualquer vínculo comercial com o empresário Moitinho.
Deputado diz desconhecer inquérito
Em nota oficial, enviada na tarde desta sexta-feira, 24, Adail Filho informa que tomou conhecimento, por meio da imprensa, de menções a seu nome em investigação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal. O parlamentar esclarece que, até o presente momento, não teve acesso ao conteúdo dos autos e que jamais lhe foi solicitado qualquer esclarecimento sobre o tema, razão pela qual sua assessoria jurídica já adotou as medidas cabíveis para requerer acesso integral às informações.
“Ressalta que a instauração de investigação possui caráter estritamente apuratório, não representando qualquer juízo de culpa, nos termos dos princípios constitucionais do devido processo legal e da presunção de inocência. O parlamentar repudia tentativas de exploração política de fatos ainda não esclarecidos e reafirma que não possui qualquer envolvimento com as situações mencionadas”, diz o parlamentar.
Segundo o deputado, ele segue exercendo normalmente seu mandato, com foco no trabalho e nos resultados concretos que vêm sendo entregues à população do Amazonas. “Por fim, reafirma seu compromisso com a verdade, a transparência e o respeito às instituições, certo de que os fatos serão devidamente esclarecidos”, finaliza.
FONTE: Por AGÊNCIA CENARIUM




































