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‘Pessoa altamente fria’: suspeito de matar três em chacina em Manaus não demonstrou arrependimento, diz delegado

Crime aconteceu na segunda-feira (17), em uma casa localizada no bairro São Geraldo. Ezenilson Silva de Sousa foi preso horas depois e confessou o crime.

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Suspeito de envolvimento na morte de três pessoas da mesma família em Manaus chega a delegacia. — Foto: Patrick Marques/g1 AM

Ezenilson Silva de Sousa, preso suspeito de matar três pessoas e ferir uma mulher durante uma chacina no bairro São Geraldo, Zona Centro-Sul de Manaus, não demonstrou arrependimento ao confessar o crime à Polícia Civil do Amazonas (PC-AM). Segundo o delegado Ricardo Cunha, titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), o suspeito é uma pessoa “altamente fria”.

O crime aconteceu na segunda-feira (17), em uma casa localizada no bairro São Geraldo Ele foi preso horas depois e assumiu a autoria das mortes.

“Trata-se de uma pessoa sem passagens, é uma pessoa altamente fria, não esboçou qualquer tipo de arrependimento ali ao confessar o crime”, afirmou em entrevista coletiva nesta terça-feira (18).

Segundo o delegado, o suspeito foi confrontado pelos investigadores após a polícia identificar uma semelhança entre ele e o homem registrado pelas câmeras de segurança chegando à residência onde ocorreu a chacina.

A polícia também verificou a motocicleta usada pelo suspeito e constatou que era o mesmo veículo que aparece nas imagens. Ao ser confrontado, Ezenilson confessou os assassinatos e relatou aos investigadores, em detalhes, como a ação aconteceu.

“Confrontamos ele, ele não titubeou, ele confessou a prática desse crime. Tivemos que retornar ao local do crime para ver aquelas cenas de terror novamente para entender a dinâmica e lá ele relatou com muitos detalhes como foi essa ação criminosa”, disse Cunha.

Apesar da confissão, o suspeito apresentou uma versão de que teria agido em legítima defesa. A alegação, no entanto, não convenceu os investigadores, segundo o delegado.

“Alegou uma legítima defesa que obviamente não nos convenceu, mas foi alegado por ele no interrogatório”, afirmou.

Como aconteceu a chacina

A chacina aconteceu na manhã de segunda-feira (17), em uma residência no bairro São Geraldo. Segundo a investigação, Ezenilson chegou ao imóvel por volta das 5h30, estacionou uma motocicleta em frente à casa e pulou o muro. O objetivo era pedir dinheiro a uma das vítimas para pagar uma dívida de R$ 19 mil com agiotas.

Ele permaneceu no local por cerca de duas horas e deixou a residência por volta das 7h. Nesse período, três pessoas foram mortas e uma mulher ficou ferida.

Os mortos são Francisco das Chagas Morais Santos, de 66 anos, Isabella Coelho Morais, de 29, e Guilherme Pereira Lima Filho, de 65 anos. A quarta vítima, identificada apenas como Dilma, foi socorrida e levada para o Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, na Zona Leste de Manaus.

O que motivou o crime

A principal linha da investigação é de que o crime teve motivação financeira.

Segundo a polícia, Ezenilson foi até a residência para pedir dinheiro a Francisco, que era pastor e ex-sogro dele. O suspeito teria contraído uma dívida com agiotas.

Ainda de acordo com o delegado, houve um desentendimento depois que Francisco se recusou a entregar mais dinheiro ao suspeito.

“[Eles] tiveram um desentendimento porque esse pastor não quis lhe dar mais dinheiro e, segundo ele, ele perdeu a cabeça e matou esse pastor ainda dentro do seu próprio quarto”, afirmou Cunha.

Martelo usado no crime

Ezenilson afirmou à polícia que usou um martelo para atacar as vítimas. Segundo o delegado, o objeto foi jogado em um igarapé próximo à residência.

Durante a ação, o suspeito também encontrou um pequeno cofre com cerca de R$ 900, que pertencia a Francisco. Ele deixou o imóvel levando ainda os celulares de três vítimas e usava uma máscara de proteção para tentar evitar ser identificado.

Pequeno cofre com cerca de R$ 900, que pertencia a Francisco, morto em chacina no bairro São Geraldo, em Manaus — Foto: Divulgação/PC-AM
Pequeno cofre com cerca de R$ 900, que pertencia a Francisco, morto em chacina no bairro São Geraldo, em Manaus — Foto: Divulgação/PC-AM
Como as vítimas foram encontradas

Os três corpos foram encontrados dentro da residência. Dois estavam em um quarto e o terceiro, no corredor da casa.

Um morador encontrou as vítimas e acionou a Polícia Militar pelo número 190. Os policiais foram até o endereço e confirmaram o crime.

A área foi isolada para o trabalho da perícia. O Instituto Médico Legal (IML) e o Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) foram acionados para os procedimentos.

A quarta vítima foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levada para o Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio. Ela ficou gravemente ferida e permanecia hospitalizada até a última atualização.

O g1 procurou a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) para saber o estado de saúde dela, mas não obteve retorno.

Isabella Coelho Morais quem era jovem com paralisia cerebral morta em chacina em Manaus — Foto: Arquivo pessoal
Isabella Coelho Morais quem era jovem com paralisia cerebral morta em chacina em Manaus — Foto: Arquivo pessoal
Guilherme Pereira Lima Filho foi um dos três mortos em ataque no Amazonas. — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Guilherme Pereira Lima Filho foi um dos três mortos em ataque no Amazonas. — Foto: Reprodução/Redes Sociais

FONTE: Por G1 AM

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