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Equipe de mergulhadores sai de Manaus para apoiar buscas de indigenista e jornalista inglês

Avião decolou por volta de 8h, e a previsão de chegada em Atalaia do Norte, no interior do Estado, é às 11h30.

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Mergulhadores do Amazonas no Aeroporto Interacional de Manaus — Foto: Josney Beneveluto/Rede Amazônica

Uma equipe de mergulhadores da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP) saiu de Manaus na manhã desta terça-feira (7) para ajudar nas buscas pelo indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira e pelo jornalista inglês Dom Phillips no Vale do Javari, na Amazônia. O destino da equipe é o município de Atalaia do Norte, na região.

A equipe saiu do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes e é composta por homens do Batalhão Ambiental da Polícia Militar, da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) e do Corpo de Bombeiros.

O avião decolou por volta de 8h, e a previsão de chegada em Atalaia é às 11h30. Os homens vão participar das buscas pela dupla que está desaparecida há mais de 24h.

As buscas vão se concentrar no perímetro onde o jornalista e o indigenísta foram vistos pela última vez. Uma equipe da Marinha do Brasil e outra do Exército também participam das buscas.

Trajeto e desaparecimento

Bruno e Phillips foram vistos pela última vez quando chegaram na comunidade São Rafael por volta das 6h deste domingo (5) e onde conversaram com a esposa do líder comunitário apelidado de Churrasco. De lá, eles partiram rumo a Atalaia do Norte, viagem que dura aproximadamente duas horas, mas não chegaram ao destino.

“Os dois se deslocaram com o objetivo de visitar a equipe de Vigilância Indígena que se encontra próxima à localidade chamada Lago do Jaburu (próxima da Base de Vigilância da FUNAI no rio Ituí), para que o jornalista visitasse o local e fizesse algumas entrevistas com os indígenas”, diz o texto da Univaja.

Eles viajavam com uma embarcação nova, de 40 cavalos, e 70 litros de gasolina, o suficiente para a viagem.

Quem são os desaparecidos

Phillips e Bruno fazem expedições juntos na região desde 2018, de acordo com o Guardian.

Segundo a nota da Univaja, Bruno é “experiente e profundo conhecedor da região, pois foi Coordenador Regional da Funai de Atalaia do Norte por anos”.

Já Phillips mora em Salvador e faz reportagens sobre o Brasil há mais de 15 anos para veículos como Washington Post, New York Times e Financial Times, além do Guardian. Ele também está trabalhando em um livro sobre meio ambiente com apoio da Fundação Alicia Patterson.

Em uma rede social, Jonathan Watts, editor do Guardian, disse que o jornal está preocupado e procurando informações sobre o colaborador.

“O Guardian está muito preocupado e procurando urgentemente informações sobre o paradeiro de Phillips. Estamos em contato com a embaixada britânica no Brasil e autoridades locais e nacionais para tentar apurar os fatos o mais rápido possível”, escreveu Watts.

De acordo com o divulgado pela Univaja, a equipe vinha recebendo ameaças em campo, sem especificar quais e como.

“Enfatizamos que na semana do desaparecimento, conforme relatos dos colaboradores da Univaja, a equipe recebeu ameaças em campo. A ameaça não foi a primeira, outras já vinham sendo feitas a demais membros da equipe técnica da Univaja, além de outros relatos já oficializados para a Policia Federal, ao Ministério Público Federal em Tabatinga, ao Conselho nacional de Direitos Humanos e ao Indigenous Peoples Rights International.”

Investigação

O desaparecimento de Bruno Araújo Pereira e de Dom Phillips é investigado pela Polícia Federal (PF). Em nota, a corporação disse que “assim que levantadas as informações e, quando disponíveis, encaminharemos para conhecimento de todos”.

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um processo administrativo para apurar o desaparecimento. De acordo com o órgão, a Marinha, as polícias Civil e Federal, a Força Nacional e a Frente de Proteção Etnoambiental do Vale do Javari participam das buscas.

A Marinha do Brasil informou que enviou uma equipe para procurar o indigenista e o jornalista. A Força será a responsável por conduzir as atividades de busca.

Ameaças

Segundo informações da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), o indigenista Bruno Araújo Pereira era ameaçado por madeireiros, garimpeiros e pescadores. Também conforme a Univaja, Bruno Pereira é “experiente e profundo conhecedor da região, pois foi coordenador regional da Funai de Atalaia do Norte por anos”.

“Os dois se deslocaram com o objetivo de visitar a equipe de Vigilância Indígena que se encontra próxima à localidade chamada Lago do Jaburu (próxima da Base de Vigilância da FUNAI no rio Ituí), para que o jornalista visitasse o local e fizesse algumas entrevistas com os indígenas”, diz a Univaja.

Dom Phillips mora em Salvador e faz reportagens sobre o Brasil há mais de 15 anos para veículos como Washington Post, New York Times e Financial Times.

Manifestações

Entidades do Brasil e do exterior, ligadas ao jornalismo, à proteção dos direitos humanos e que defendem a preservação do meio ambiente cobram a investigação sobre o desaparecimento do jornalista e do indigenista.

O Greenpeace disse que “o desaparecimento se deu em meio ao aprofundamento da política anti-indigenista promovida pelo atual governo que, por meio de diversas iniciativas” (leia nota mais abaixo).A organização internacional de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) disse que é “urgente que as autoridades dediquem todos os recursos necessários” para realizar as buscas de Bruno e Dom Phillips.

“As autoridades brasileiras deveriam escutar e atuar por meio de um esforço imediato para buscar Dom Phillips e Bruno Pereira”, diz a Human Rights Watch.

O Instituto ClimaInfo, que trabalha para alertar sobre as mudanças climáticas, também se manifestou sobre o desaparecimento de Bruno e de Phillips. Segundo o instituto, a demora para ações de investigação – que teria começado mais de 24h após o desaparecimento – foi “inaceitável”.

” O Estado brasileiro precisa achá-los”, diz o ClimaInfo.

A organização americana de defesa do meio ambiente Amazon Watch também se pronunciou e disse estar preocupada com o desaparecimento do jornalista e do indigenista. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou uma nota onde aponta que “se une aos esforços” para que eles sejam localizados.

A Abraji reforçou que os dois já haviam sido ameaçados pelos trabalhos que desenvolvem. A associação diz que “faz votos para que eles sejam localizados rapidamente e em segurança”.

FONTE: Por G1 AM

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