Início Mundo Representantes da Ucrânia e da Rússia concordam em criar corredores humanitários para...

Representantes da Ucrânia e da Rússia concordam em criar corredores humanitários para saída de civis

0
Representantes da Ucrânia (E) e da Rússia (D) apertam as mãos antes do início de segunda rodada de conversas sobre a invasão russa do território ucraniano Foto: BELTA / via REUTERS

A segunda rodada de negociações ocorreu em Belarus. Um terceiro encontro foi confirmado. Mais de 1 milhão de ucranianos fugiram da guerra em uma semana. A maioria teve como primeiro destino a Polônia.

Mais de 1 milhão de ucranianos fugiram da guerra em uma semana. A maioria teve como primeiro destino a Polônia, onde estão os enviados especiais Rodrigo Carvalho, Ernani Lemos e Ross Salinas.

Em Belarus, representantes da Ucrânia e da Rússia concordaram, nesta quinta-feira (3), em criar corredores humanitários para a retirada segura de civis.

Mais um trem chega da Ucrânia e uma senhora é 100% ansiedade. Vai de lá para cá, gruda na grade, pede ajuda. O repórter pergunta se a Natalia que ela procura é alguém da família: “Não, nem conheço ela”, responde.

A senhora, a Bożena, está lá basicamente para buscar uma conhecida de um conhecido do filho dela. Ela soube pela internet que estavam precisando de alguém para buscar a Natalia. Então, viajou 500 quilômetros e abraçou a missão.

Essa rede de pessoas que mal se conhecem tem sido uma marca na fronteira. A 20 minutos dali, na fronteira de pedestre, um soldado vai sozinho para a guerra, e mais refugiados chegam.

Pisar finalmente na Polônia ou em qualquer outro país vizinho é o fim de uma jornada exaustiva de dias com frio, fome, sede. É a realidade que se vê na fronteira exibida pelo Jornal Nacional, por exemplo. Esse é também o começo de outra jornada: “Para onde ir?”, “Como arrumar um emprego?”, “Quanto tempo isso vai levar?”.

Desde o início da invasão russa, há só oito dias, mais de 1 milhão de refugiados já conseguiram sair da Ucrânia. Não existe precedente nesse século de tantas pessoas fugindo de um país em tão pouco tempo. E os ataques da Rússia do lado de lá da fronteira só pioram.

O governo da Ucrânia atualizou os números de soldados russos mortos ou feridos desde o começo da guerra: 9 mil – quatro vezes mais do que o divulgado na quarta-feira (2) pela Rússia. As baixas do lado ucraniano não foram divulgadas.

O oitavo dia da guerra teve mais ataque em diferentes partes da Ucrânia. Depois da tomada da cidade portuária de Kherson na quarta pelos russos, a administração local passou a orientar os moradores a não provocar os soldados. As pessoas não devem andar em grupos e os motoristas precisam circular devagar e parar para serem revistados.

O comando de fronteira da Ucrânia disse que foi um ataque russo que afundou um navio cargueiro da Estônia com bandeira panamenha no Mar Negro.

No leste da Ucrânia, bombardeios atingiram áreas residenciais e derrubaram mais prédios em Kharkiv, segunda maior cidade do país.

O presidente do clube Shakhtar Donetsk, um dos times de futebol mais populares da Ucrânia, disse que o técnico do time juvenil morreu num ataque russo. Dois jogadores do time também morreram em outros incidentes.

Nos arredores da capital Kiev, houve ataques em Borodyanka e Chernihiv. Uma câmera instalada dentro de um carro tremeu com o impacto da explosão. Trabalhadores da construção civil ergueram barricadas com vigas de aço para impedir a entrada de tanques.

Imagens exibidas no Jornal Nacional são do subúrbio de Kiev destruído. Um jovem morador contou que um grupo voltava do mercado com as compras e que a explosão foi bem na frente deles. Bombeiros levaram dois homens, e não se sabe se sobreviveram.

Militares ucranianos informaram nesta quinta que acreditam que soldados de Belarus, na fronteira norte, teriam recebido ordens de invasão ao território ucraniano.

Da segunda rodada de negociações entre os dois lados, os representantes da Ucrânia e da Rússia saíram com percepções diferentes. O russo considerou que houve progresso substancial. Ele se referia ao consenso sobre a criação de um corredor de ajuda humanitária à população.

Já o negociador ucraniano declarou que o encontro não rendeu os resultados esperados por Kiev. Ele explicou que discutiram a possibilidade de um cessar-fogo em algumas áreas para que as pessoas possam deixar o país e para que mantimentos e remédios sejam entregues, e confirmou que haverá uma nova rodada de negociação.

Essas reuniões todas para tentar chegar a um acordo de paz obedecem a um tempo completamente diferente da urgência de milhões de pessoas.

Bożena até encontrou a Natalia. As duas mandaram umas fotos para a equipe do JN. Passaram horas desta quinta se conhecendo, finalmente. Mas outras tantas histórias não têm um desfecho tão rápido assim.

Uma mãe tenta consolar Maria. Irena é enfermeira e conseguiu atravessar para a Polônia com a filha, mas vai voltar para a Ucrânia. A missão dela é das grandes.

Repórter: Você tem que voltar?

Irena: Tenho. Para trabalhar.

Repórter: Onde você trabalha?

Irena: Num hospital militar, um hospital de guerra.

FONTE: Por G1/JORNAL NACIONAL

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui